Na tradicional cor branco-azul-celestial
Das porcelanas do Oriente,
Onde o azul às vezes atinge o violeta,
A estampa de um sábio em seu cavalo avança pelo campo.
Manto e capuz de pequenas abas, pois aparentemente faz frio.
Seriam as seis horas de um entardecer, talvez,
Visto que ao fundo não se vê o sol.
Tudo indica as horas crepusculares,
O lusco-fusco das melancolias e saudades.
O sábio parece meditar em suas sabedorias,
Confortável em montaria mansa e bem fornida,
Que parece ser muito bem alimentada.
Entretanto, se olharmos um pouco mais para a direita,
Vemos um servo, a pé, carregando uma carga ao ombro,
Pernas retesadas se contrapondo à inclinação do relevo.
Deve estar suado e cansado,
Não tem empolgação para apreciar a paisagem do lago,
Nem a ponte romântica ao fundo.
Então nitidamente nos recordamos de um poema de Brecht.
Lembramos que desde Alexandre, Platão e Aristóteles,
Todo o ócio reservado ao prazer do pensamento,
Toda a riqueza acumulada, o ouro, as porcelanas mais finas,
Os aparelhos de chá deslumbrantes
E as carruagens esplêndidas,
Os tesouros levados nas caravelas para Lisboa e Delft,
Ou outras cidades riquíssimas,
Os bordados argênteos nos suntuosos mantos purpúreos,
Todos os castras e castelos,
Nenhum deles pôde prescindir do servo, do subjugado,
Do escravo trabalhador nas galés,
Para manter o brilho e o esplendor, a espantosa magnificência.
Bertolt Brecht observou este fato,
Certamente folheando um livro de história,
Quando, astuto e ágil de pensamento como era, questionou:
Quem construiu Tebas, a de Sete Portas?
