Tétis ergueu-se do oceano e viajou para o Olimpo, apressada,
Onde hospedou-se com as sempre graciosas Cárites,
E pediu a Hefestos, polidamente, com delicadas gentilezas,
Que tecesse, com suas habilidosas e experientes mãos,
Uma resistente e poderosa armadura para Aquiles.
Seu filho ficara em Esquiro, vestido de menina,
Sob a proteção do rei Licomedes,
Para enganar o astuto e ardiloso Odisseus.
Tétis tempos depois repetirá essa viagem,
Quando, dolorosamente, por obra do divino Heitor,
Pátroclo for morto na batalha,
O dileto companheiro de seu filho,
Guarnecido com a loriga
E as couraças de combate, pertencentes a Aquiles,
Emprestadas diligentemente para o querido e desditoso camarada.
Essa, porém, foi a primeira vez que Tétis suplicou ao divino Hefestos.
Pois a aflita mãe pressentia já, em seu coração,
Todas as tribulações e amarguras que marcham juntas com a guerra.
As Cárites serviam Afrodite em Pafos,
Lavavam sua roupa, alinhavam seu peplo e poliam a diadema,
Depois iam descansar perto do rio Kefiso em Orcômenos,
Onde o rei Eteocles construiu um templo para elas.
Nas noites de suas festas, os que se mantinham alertas,
Acordados, lúcidos e reverentes,
Recebiam pela manhã, na madrugada,
Bolos de mel e papas de semolina.
Mas Tétis sentiu no ar um grande pesar, uma aflição temerosa,
Também entre as deusas que a hospedavam, uma lástima,
Pelos homens jovens e valentes que tombariam na guerra,
Pelas mulheres que morreriam cruelmente
Ou se tornariam viúvas e escravizadas,
Pelas crianças assassinadas e violentadas
E também pela piedosa Tróia, a de belos cavalos,
Que seria conquistada, ofendida, saqueada e exterminada.
