Sua mãe não lhe ensinou a lavar a boca após comer? Perguntavam.
Não, porque não tive mãe, respondia.
Às vezes fedia um pouco,
As roupas encarunchadas e o cachecol engordurado.
Esforçava-se sim, para ser elegante, igual aos outros camaradas.
Silenciava para não arriscar a dizer baboseiras.
A total falta de prática na elegância, porém, o denunciava.
O submundo de onde veio não o deixava acertar o passo galante.
Os outros rapazes te olham enviesados.
Dizem que tu tens um fedor inesquecível.
Alguns zombam,
Porque um resto de comida pregou em teus lábios e não limpas.
Realmente, entre as moças solteiras,
Tua reputação não é tão brilhante.
Tuas calças são demasiado folgadas,
Porque não tens ninguém que as possa ajustar para ti.
Tu vais ser assim o pequeno animal fora da manada,
Como as gardênias diferem das ramas da espinheira,
Andando desengonçado nos caminhos da mata,
Sem requintes, sem educação refinada, oriundo da prole,
O cachorrinho que levanta a patinha frontal levemente dobrada,
Sem saber a direção a seguir na encruzilhada.
