Jovens proletários dos filmes de Pasolini

Sua mãe não lhe ensinou a lavar a boca após comer? Perguntavam.

Não, porque não tive mãe, respondia.

Às vezes fedia um pouco,

As roupas encarunchadas e o cachecol engordurado.

Esforçava-se sim, para ser elegante, igual aos outros camaradas.

Silenciava para não arriscar a dizer baboseiras.

A total falta de prática na elegância, porém, o denunciava.

O submundo de onde veio não o deixava acertar o passo galante.

 

Os outros rapazes te olham enviesados.

Dizem que tu tens um fedor inesquecível.

Alguns zombam,

Porque um resto de comida pregou em teus lábios e não limpas.

Realmente, entre as moças solteiras,

Tua reputação não é tão brilhante.

Tuas calças são demasiado folgadas,

Porque não tens ninguém que as possa ajustar para ti.

Tu vais ser assim o pequeno animal fora da manada,

Como as gardênias diferem das ramas da espinheira,

Andando desengonçado nos caminhos da mata,

Sem requintes, sem educação refinada, oriundo da prole,

O cachorrinho que levanta a patinha frontal levemente dobrada,

Sem saber a direção a seguir na encruzilhada.

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