A Vida

A Vida tem medo de perder a vida

Por isso foge, bate asas diante do perigo,

Põe sebo nas canelas a correr aflita,

Nada velozmente para bem distante.

A Vida se agarra nas coisas mais lindas e vistosas

Tenta desesperadamente esquecer as tristes e apagadas,

Fugir das dores, dos sofrimentos, imprevistos,

Quer continuar até o infinito,

Cobiçando sempre as mais sublimes jóias,

Participando dos mais seletos e refinados jogos,

Abraços, beijos, amor, amizades, juras e outras ladainhas.

Não sou deprimido, céptico, derrotado ou mau-olhado,

Apenas penso comigo, no meu íntimo, sem ser notado:

Ah, Vida, como você é bobinha!

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