Dizem que a Alemanha é a terra onde a coruja de Minerva conseguiu resguardo e acolhida. Onde o Espírito de Hegel passou muitas vezes sobrevoando carinhosamente. Cujo povo, a duras penas, esteve, nos últimos séculos, aprendendo e se moldando.
Não se curvaram, não se submeteram eternamente a injustiças. Lutaram, se rebelaram, morreram. Para chegar a tais alturas as guerras externas e internas, os prélios e contendas, os choques, educaram esse povo, como diz o seu grande filósofo.
Sabem que as gerações necessitam ser educadas continuamente para que possam reter a memória dos aprendizados passados, senão tudo se perde.
Por isso se pode dizer que o seu sistema educacional, suas universidades gratuitas e democráticas, rigorosas nos estudos e na formação técnica e humanística, foram e são o liame que lhes permitiu chegar aonde chegaram e que lhes permitem a permanência no alto nível onde estão.
Para os que apreciam acusar, vamos repetir aquelas antigas e sábias palavras: atire a primeira pedra quem nunca errou.
Nós somos a humanidade e a humanidade está errando e cometendo horrores em todos os lugares e tempos. Vamos lutar contra a monstruosidade da humanidade, mas não vamos apontar o dedo apenas a um povo ou uma nação. Os monstros somos todos nós, dependendo das circunstâncias.
O cineasta russo Mikhail Romm produziu o documentário “O Fascismo de todo dia”, nome em português, ou em inglês Triumph Over Violence (1965), sobre a facilidade com que somos hipnotizados pelo mal, pelas falsas verdades e teorias. Utilizou o exemplo alemão, porque foi terrível, dramático e recente. Mas poderia ter se inspirado em outros exemplos. O cineasta mostra em seu trabalho que houve, na terrível hora da provação, duas Alemanhas: a Alemanha que se hipnotizou e a Alemanha que disse “Não” e foi sacrificada.
A hora da provação, a hora da grande coragem pode chegar a qualquer momento, para qualquer um de nós, porque o fascismo nos ronda a todos, sempre.
Esse livro é um canto aos alemães que disseram “Não”, na contracorrente, quando era mais fácil, mais lucrativo para os interesses pessoais de cada um, mais carreirista, dizer “Sim”.
Agradeço aos alemães a acolhida, por um tempo, na Universidade de Münster, gratuita, aberta, democrática, de alto desempenho.
Uma certa carga genética de inteligência, sim, mas sobretudo a educação oferecida fez desse povo o que eles são. Não raro estão entre os expoentes premiados nas mais diversas áreas.
Viajantes, curiosos, são vistos em todas as partes do mundo. Muitos deles gostam de ajudar, estendendo a mão a pessoas menos educadas e mais vulneráveis, de forma muito mais frequente que alguns de seus vizinhos que comandaram e ainda comandam os mares e as colônias distantes, sempre em busca somente de altos lucros e proveitos.
Devido a seu desempenho e esforço são admirados. Embora muitas vezes, naturalmente, pelo histórico ainda recente, temidos e odiados também.
Pela sua continuada contribuição, em consideração a sua esforçada ajuda nas pesquisas sobre a realidade humana e na decifração dos arcanos misteriosos e dos sofrimentos da humanidade, vamos, sem medo, cantar a Alemanha e os alemães?
