Peitos lacerados por onde jorra o inflamado sangue

É bom ser lindíssimo?

Talvez, os próprios belos dizem.

Por todos os lados as pessoas te olham,

E se admiram, se embevecem, se retorcem para te mirar.

Há olhares persistentes,

Sobre teu rosto,

Sobre teus músculos, teu andar, tuas roupas.

Muitas pessoas imprevidentes insistem demasiadamente.

Pessoas comuns que trabalham num escritório,

Numa lavanderia, numa repartição pública.

Querem ser acolhidas e amadas pelos belos

E até pelos lindíssimos.

Deixam-se levar loucamente pela miragem e pela fábula.

O belo também me olha de jeito especial, elas pensam.

Acho que gosta de mim.

Não medem a proporção de forças

Nem o poder de ilusão do canto doce das sereias,

Assim podem cair num abismo infinito,

Num mar arrojado, impetuoso, cruel,

Numa noite de muitas sombras agoniadas

Que carregam esperanças destruídas

E peitos lacerados por onde jorra o inflamado sangue.

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