O Congo nasce nos planaltos lá em Zâmbia,
Não muito longe da nascente do Zambeze,
Depois desce em pântanos e albufeiras e prossegue para o norte,
E para oeste até chegar ao mar em Matadi, em Soyo,
Em Bula-Mbemba, em Mpinda,
De onde partiram tantos bantos para São Tomé.
De lá para Cuba, Jamaica, Hispaniola, Cartagena de Las Indias,
Pernambuco, Maranhão, Bahia de Todos os Santos,
E nunca mais voltaram.
É impossível esquecer que nunca mais voltaram.
O Zambeze dá adeus ao Congo ainda no planalto,
Viaja para o leste por um longo caminho,
Passa por Tete e chega ao grande delta no Índico.
O Congo se avoluma junto com o Lualaba e atravessa a África.
Quantas coisas lindas já viram o Congo e o Zambeze.
A juventude africana, de belíssimos corpos negros
Alegre a pescar, a banhar.
Almadias cheias de cachos de banana e melancias.
E quanta coisa horrível.
Sobre essas, neste momento, é melhor não pensar nem falar.
O Livro Negro - The Black Book
O Congo e o Zambeze
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