Quando os portugueses chegaram às ilhas de Cabo Verde
Escreveram: sem sinal de gente.
Aqui só há grande invasão de pombos e muita urzela.
A urzela foi levada para as tinturarias flamengas e para as
quintas
Para dar cor púrpura elegante aos tecidos e vinhos da Europa.
Muita gente morreu catando urzela nos alcantis,
Muitos negros escravizados, deve-se falar claramente.
Havia também muita dracaena draco
Que, ferida, expele uma lágrima vermelha.
Servia para colorir lãs e corar o rosto das senhoras pálidas.
Mas havia uma brisa gostosa passeando pelo arquipélago,
Um mar excitado beijando todas as ourelas,
E a proximidade fascinante da vida impetuosa da África.
Ali seria um dia uma terra cheia de mulatos indômitos,
Que lutariam bravamente por seu solo querido,
Brincariam, nadariam, correriam, amariam sobre aquele solo,
Lavrariam o árido chão cheios de esperanças,
Apelando pela chegada das chuvas com canções suplicantes
E dali só partiriam, dobrados pela tristeza e a dor,
No último barco a zarpar varando as ondas verdes,
Como os brasileiros nordestinos partem em desespero ferido
No último pau-de-arara que sai do sertão ressequido.
A Manilha e o Libambo – Alberto da Costa e Silva
Relação e Descripção de Guiné – André Álvares D’Almada
Rios de Guiné do Cabo-Verde – André Álvares D’Almada
Chronica do Descobrimento e Conquista de Guiné – Gomes Eannes de Azurara

Parabéns pelo seu trabalho sucesso sempre. Gostei muito.
50 anos depois da independência, já não somos os flagelados do vento leste.
Ainda cantamos à espera da chuva…
Mas estamos aqui de pé, firmes, resistindo. Porque o chão é nosso. A história também. Um abraço de Cabo Verde 🇨🇻
Pois é.
“Já não somos os flagelados do vento leste.
Dominamos os ventos ” /David Hoffer Almada/
Um povo onde nunca acaba a esperança
Li e gostei. Parabéns pelo seu livro. Continua escrevendo sobre África, sou CV. Bem haja
Parabéns para o teu livro palavras lindas