Praxyllα de Sicyone diz que Crisipo foi raptado por Zeus.
Uma trovoada de pavões e águias das montanhas
Se atirou sobre o belo filho de Pélops
Quando repousava às margens de um rio,
Os pés ardentes do longo caminho entre as águas correntes.
Foi apenas um murmúrio no ar, de asas voando
E um leque multicor que tampou sua visão e o embriagou.
Sentiu-se meio tonto, mas não desfaleceu,
Pelo contrário, ergueu-se pronto a buscar toda a lascívia,
Todo o prazer que uma juventude pode oferecer,
Os prazeres mais sublimes,
O requinte do que é dado provar à infeliz raça dos mortais.
Píndaro primeiro e depois Higino dizem que não foi Zeus o autor,
Mas Laio, o pai de Édipo, que raptou na juventude o belo rapaz
Numa carruagem de ouro,
Conduzida por cavalos de cascos de marfim
E o elevou aos jardim dos jogos de Nemeia
Onde os homens descansam após as grandes fadigas,
Não só as canseiras dos ginásios e das baias de animais,
Mas também a exaustão dos amantes ao fim da noite agitada.
Higino – Fábulas Apolodoro – Biblioteca
