A personagem Zoyka de “A Balada do Soldado”

O roteirista ou o diretor, não sei, a pincelou magnificamente.

É improvável, em tão poucas imagens, pintar melhor tão grande amor.

Em poucos olhares, porque o amor olha de forma especial,

Nas tentativas de estender a mão e dizer adeus,

O olhar amante, tingido pela dor, transparece.

Primeiro foi no trem, sobre o feno, a menção

Ao passado na aldeia. “Eu tinha uma amiga,

Uma vizinha que se chamava Zoyka.

Mas Zoyka não conta porque era só uma menina”.

Para Zoyka, entretanto, contava tanto. Contava tudo.

Naquela cena, quando encontra a mãe de Aliosha,

Zoyka leva um bebê nas mãos e o possível pai, seu marido, a acompanha.

A mãe olha o caminho que chega à aldeia, por onde Aliosha não mais voltará.

Zoyka se adianta alguns passos. A mãe de Aliosha não se detém.

Zoyka mais uma vez se assusta com a lembrança do amor infindo,

Do desejo que cantava nas palhas da floresta e nos ventos da noite.

Então uma voz diz: Ele poderia ter se tornado um homem extraordinário.

Poderia ter se tornado engenheiro,

Ou embelezado a terra com jardins, se a guerra não o tivesse buscado.

Poderia ter se casado com Zoyka.

Nada disso aconteceu. O final foi diferente.

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