Roupas Usadas em Berlim

Na porta uma estranha bacia com rosas murchas

E um tecido estampado de gardênias.

Jaquetas de couro penduradas em cabides de naca

Os comentários no site… Um diz assim: Na enorme Humana

De Friedrichshain eu me senti como numa cidadela

Onde a vida subia e descia numa escada em espiral,

E o passado regressava.

Também o odor de suores antigos lavados com desinfetante de lavanda.

Outros reclamam dos preços: já não são como há dez anos,

Tudo virou uma boutique de roupas vintage para endinheirados.

Talvez seja melhor procurar coisas novas em Kreuzberg, são mais baratas.

Mas eu cheguei em dezembro e fazia menos um grau lá fora.

Tenho de comprar algumas jaquetas, o tempo me obriga a isso.

Nunca fui muito bonita nem muito tolerante com os caprichos dos machos

E acabei ficando só nesta grande cidade.

Às vezes me pergunto, ela diz, se valeria a pena ter conseguido um macho para companhia

E dividir um leito, suportar seus peidos fedidos, suas manias, seu vício da avareza.

Nem sequer uma mísera garrafa de vinho num dia gelado ele se dava ao luxo.

Este cliente está contente: Hier gibt es für jeden etwas.

Mas o outro protesta severamente: Das ist nicht Humana, das ist UNHUMAN.

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